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sábado, 10 de setembro de 2011

Sugestão para Leitura: Capitalismo para Principiantes

Ótimo livro para os estudos iniciais sobre o Capitalismo. Achei enterrado no meu armário...
Tudo em pdf na net...

Capitalismo para Principiantes
A História dos Privilégios Econômicos

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

País Democrático? Parece que não...

Músico faz rap criticando salário de deputados, e caso vai parar no MP

Letra critica fato de deputados do RS terem aumentado salários em 73%.
Presidente da Assembleia à época enviou ofício ao Ministério Público.

Maria Angélica Oliveira Do G1, em São Paulo

No próximo dia 22, o músico Tonho Crocco deverá comparecer ao Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul para uma audiência. O assunto será o rap que ele compôs criticando um reajuste de 73% que deputados estaduais aprovaram para seus próprios salários em dezembro, no final da legislatura.
Com o nome de “Gangue da Matriz”, a música tem frases como “o crime aconteceu em plena luz do dia” e “subiram seu salário; me senti um otário” e faz rimas com os nomes de 36 deputados que teriam votado a favor do aumento junto com o refrão “gangue da matriz, gangue da matriz”.

O nome da música faz referência à localização da Assembleia Legislativa, na Praça da Matriz, e a crimes ocorridos na década de 80 no local.
"Nos anos 80, tinha um grupo de filhos de pessoas ricas que faziam artes marciais e covardemente batiam em uma pessoa e teve até um assassinato. Como a Assembleia Legislativa é na Praça da Matriz, essa foi a metáfora que eu quis usar porque me senti agredido, meu direito foi assassinado ali naquela hora. Então essa é a referência dessa frase", diz Crocco.

A audiência tem origem numa representação enviada ao MP pelo então presidente da Assembleia, Giovani Cherini (PDT), pedindo a “instauração de procedimento investigatório para apuração de possível cometimento de infrações penais”. O texto diz que o “protesto” de Crocco se insere nos crimes contra a honra, do Código Penal. A letra e a gravação da música foram encaminhadas aos promotores.

O Ministério Público diz que tratou o caso, em tese, como “infração de menor potencial ofensivo” e que a polícia elaborou um termo circunstanciado. Uma audiência preliminar foi marcada para o próximo dia 22 para “possível conciliação e esclarecimentos entre as partes”.
“Essa conciliação, para mim, não existe. Vou ter que pagar cesta básica pelo que fiz? Vou ter que retirar a música? Vou ter que me retratar? Não existe. Pretendo levar esse processo adiante. Se o Ministério Público não arquivar no dia 22, vou levar [o caso] até o fim porque não me considero culpado e acho que tenho direito de exercer minha cidadania, minha crítica. Sou músico, não sou político, e minha manifestação foi desse jeito. Não quero que se abra esse precedente para as pessoa terem medo de se manifestar”, contesta o músico.



Essa conciliação, para mim, não existe. Vou ter que pagar cesta básica pelo que fiz? Vou ter que retirar a música? "
Tonho Crocco

'Singelo ofício'

Giovani Cherini, que atualmente é deputado federal, afirma, por meio de nota publicada em seu site, que o comunicado enviado ao MP foi um “singelo ofício feito pela Presidência da Assembleia Legislativa (de forma absolutamente impessoal)” e que o documento foi referendado em reunião de líderes.
A nota afirma ainda que Cherini não teve o nome citado no rap, o que mostraria, segundo a nota, a “total falta de interesse pessoal” dele no caso.
Já o atual presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde (PT), disse que não houve decisão da Mesa da Casa para que o ofício fosse encaminhado ao MP e afirma que pretende tentar anular a representação.
“Nosso procurador vai à Justiça verificar qual é o caráter desta intimação para saber quem irá lá [na audiência], se é o deputado Giovani Cherini ou a Assembleia Legislativa como instituição. Se for a Assembleia como instituição, vou levar à decisão da Mesa para que se retire isso”, disse.
De acordo com o Ministério Público, devem participar da audiência, juiz, a promotora responsável pelo caso e as duas partes, Giovani Cherini e Tonho Crocco, ou seus representantes.
Segundo o atual presidente da AL, o episódio foi “equivocado”. “A tradição da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul é de ser defensora da democracia. As artes são uma forma de manifestação que vivem à frente do tempo da gente. Elas são revolucionárias, quase que transgridem determinadas normas, e todas as sociedades que quiseram tolher formas de manifestação artística caíram em regimes autoritários”, opina.
Enquanto o caso não se resolve, Tonho Crocco vêm um outro lado da polêmica. Integrante de uma banda por 18 anos e cantor solo há três, só agora ele vive seu maior período de fama. “Não esperava isso. Em toda a minha vida, a música que mais fez sucesso foi essa. Já está em 51 mil acessos [no You Tube]. Não eram mais de 30 mil até a semana passada”, contabiliza.

sábado, 11 de junho de 2011

SI MI RE LÁ com Paulo Padilha na OCA de Carapicuíba



Paulo Padilha e Oca- Escola Cultural (Associação da Aldeia de Carapicuíba) apresentam Si Mi Ré Lá.

O Vídeo Clipe Si Mi Ré Lá é o produto final do Prêmio Interações Estéticas, promovido pela Funarte/Minc.

O prêmio propõe a interação artística entre um artista residente( Paulo Padilha) e um Ponto de Cultura( Oca)

A canção Si Mi Ré Lá( Paulo Padilha) é inspirada no contato do artista com o Ponto de Cultura.

O vídeo foi gravado no Largo da Aldeia de Carapicuíba e imediações, e conta com a participação dos alunos, monitores, professores e funcionários da Oca, da Associação São Joaquim de Apoio à Maturidade e da comunidade do entorno.

Concebido por Paulo Padilha, dirigido por Olindo Estevam e realizado pela Paiol Filmes, Paulo Padilha e Oca- Escola Cultural

Sobre o Projeto

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ILHA DAS FLORES - 1988

ROTEIRO ORIGINAL
Jorge Furtado, dezembro/1988
Produção: Casa de Cinema de Porto Alegre

FATOS
A Ilha das Flores está localizada à margem esquerda do Rio
Guaíba, a poucos quilômetros de Porto Alegre. Para lá é levada
grande parte do lixo produzido na capital. Este lixo é depositado
num terreno de propriedade de criadores de porcos. Logo que o
lixo é descarregado dos caminhões os empregados separam parte
dele para o consumo dos porcos. Durante este processo começam a
se formar filas de crianças e mulheres do lado de fora da cerca,
a espera da sobra do lixo, que utilizam para alimentação. Como as
filas são muito grandes, os empregados organizam grupos de dez
pessoas que, num tempo estipulado de cinco minutos, podem pegar o
que conseguirem do lixo. Acabado o tempo, este grupo é retirado
do local, dando lugar ao próximo grupo.

O FILME
A idéia do filme é mostrar o absurdo desta situação: seres
humanos que, numa escala de prioridade, se encontram depois dos
porcos. Mulheres e crianças que, num tempo determinado de cinco
minutos, garantem na sobra do alimento dos porcos sua alimentação
diária. Esta situação absurda será mostrada de uma forma absurda.
O filme será estruturado como um documentário científico, do tipo
"Wild Life". A câmera vai seguir um tomate, desde a sua plantação
até o consumo por uma criança da Ilha das Flores, passando pelo
supermercado e pela casa de uma consumidora. Todas as informações
do texto serão ilustradas, da maneira mais didática possível. A
narração será feita no padrão normal dos documentários, sem
qualquer tom caricato e sem emoções.

PARTE 1



PARTE 2

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Das Revoluções Neolíticas à Agricultura de Precisão

1. Introdução
As áreas onde primeiramente surgiram as atividades agrícolas existiam diversidade de plantas e animais, além de matéria-prima. Essa diversidade permitiu a sobrevivência dos povos nômades, que eram caçadores e coletores, e que migravam em busca de alimentos, já que não tinham conhecimentos para cultivo.
Os povos que desenvolveram as atividades agrícolas tornaram-se sedentários (Revoluções Neolíticas), desenvolvendo noções sobre a vida vegetal, transformando as plantas, antes brotadas do solo, segundo as leis da natureza, aliadas à vida humana. A sedentarização do ser humano, pela prática da agricultura em lugares determinados, acabou levando o solo ao desgaste (em termo de nutrientes orgânicos e químicos) e desde então as comunidades passaram a desenvolver também métodos de otimização, ainda que rudimentares, dessas propriedades do solo, aumentando ainda mais a “engenhosidade” destas populações.
Técnicas como o pousio¹ das terras, a utilização do esterco, a rotação de culturas e o novo cultivo, causado pelo processo denominado como enclosures, principalmente na Inglaterra, separando os animais dos cultivos, permitiram ao homem maior produção de alimentos para alimentar a população crescente na Inglaterra e demais regiões da Europa.

“Vossas ovelhas, em geral tão mansas e que se alimentam tão pouco, estão se tornando, dizem, tão indomáveis e tão vorazes que devoram os próprios homens, despovoam e devastam o campo, as casas e as cidades. Pois, se alguma parte do reino produz uma lã mais fina, portanto, mais preciosa, logo se vê aí os grandes e nobres, a te os santos abades – não contentes com os tributos e rendas anuais que seus avós outrora aumentavam pela conquista – suprimem as terras aráveis e promovem cercamentos para a criação, por toda as partes demolindo as casas; e as ovelhas vêm pastar nas igrejas que se mantiveram em pé...Para que um só homem possa satisfazer sua avidez insaciável, verdadeiro flagelo para o país, para que ele possa reunir térreas num domínio..., os aldeões são expulsos de suas terras, despojados pela fraude ou pela violência ou, ainda, ...se resignam a vender seus bens.”
Thomas Morus, Utopia (1516)
¹ pousio: Interrupção temporária da cultura de um terreno, para que ele se torne mais fértil, através da regeneração.

Com o aumento das técnicas no campo, a produção de alimento se tornou crescente, permitindo assim o crescimento populacional na Inglaterra e que mais tarde seria um dos fatores para a Revolução Industrial. As imagens poderosas de Morus, falando de “ovelhas poderosas devorando homem” e de “santos abades ávidos de rendas”, podem ser testemunhos desta época (primeiras décadas do século XVI), quando começa a ocorrer a expulsão dos camponeses de suas terras para a produção de lá e alimentos. Esses camponeses se dirigem às cidades, sendo mais um dos fatores para a Revolução Industrial. Vale salientar que o com o rigoroso clima da Europa durante o inverno, as atividades de plantio eram prejudicadas e decorre aí a importância da batata. Por se tratar de um tubérculo, esse vegetal foi cultivado em larga escala por se manter imune às condições do clima, além de ser nutritivo.
A partir da Revolução Industrial e da Revolução Demográfica, o uso da técnica permite o desenvolvimento das sociedades e seu crescimento. Cada vez mais a produção agrícola cresce, agora, além da técnica, também é movida pela ciência que permitiu avanços consideráveis, de modo geral. Com a 2º Revolução Industrial e o pós- guerra (1945 e diante) criou-se formas cada vez mais avançadas de produção de alimentos.

2. Revolução Verde
Em 1970, Norman Borlaug, recebeu o Prêmio Nobel da Paz e disse a célebre frase "eu fui escolhido para simbolizar a importância vital da agricultura e da produção de alimentos para um mundo que está com fome de pão e de paz". Considerado o pai da Revolução Verde a propaga como sendo a grande esperança de acabar com a fome e implementar a paz no mundo. Norman - “Não posso e não permanecerei de braços cruzados assistindo milhões morrerem de fome, quando está dentro do meu poder e do poder da ciência agrícola moderna impedir esta catástrofe imoral”.
A Revolução Verde (RV) deu seus primeiros em 1943, quando o Governo Mexicano convidou a Fundação Rockefeller, para desenvolver trabalhos sobre as causas da fraqueza de sua agricultura. Nas regiões agrícolas visitadas se constatou estagnação, variedades fracas, solos exauridos e grande disseminação de pragas e doenças, diante disso, os melhoristas e geneticistas da Fundação, sob a coordenação de Norman Borlaug, conseguiram desenvolver sementes mais produtivas e resistentes de trigo, realizando investimentos em fertilizantes, irrigação e produtos para o controle de pragas e doenças. Sete anos depois, o México quadruplicava sua produtividade de trigo, em 1956, esse país atingia auto-suficiência na produção do cereal. A "Revolução Verde" foi um programa que tinha como objetivo principal aumentar a produtividade agrícola no mundo, através do desenvolvimento de experiências no campo da genética vegetal para a criação e multiplicação de sementes adequadas às condições dos diferentes solos e climas e resistentes às doenças e pragas, bem como a descoberta e aplicação de técnicas agrícolas modernas e eficientes sempre com o uso intenso de insumos químicos. Baseia-se em: utilização de sementes melhoradas - as variedades de trigo e arroz da Revolução Verde afastaram este cenário desesperador de fome mundial; insumos industriais (fertilizantes e agrotóxicos), introduzindo a agricultura química e suas novas sementes; intensificação da mecanização com conseqüente diminuição de mão de obra; tecnologia para o plantio, irrigação e colheita e criação das regiões funcionais.
A RV se baseia também em biotecnologia utilizando técnicas de transferência de genes de uma espécie para outra, visando a obtenção de organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original, são os chamados transgênicos. As vantagens da Biotecnologia são: resistência a insetos e pragas; adaptação a diferentes climas; maior produtividade; Maior capacidade de resistência ao armazenamento e menor necessidade de processamento industrial. Porém algumas desvantagens precisam ser mencionadas como: empobrecimento da biodiversidade; desenvolvimento de ervas - daninhas mais resistentes; aparecimento de novos vírus; acordos com as empresas obrigam a usar somente produtos da respectiva firma; desconhecimento das conseqüências da utilização dos alimentos geneticamente alterados à longo prazo.

Alguns problemas foram desencadeados pela RV como: aumento da despesa com cultivo devido ao alto custo de fertilizantes e agrotóxicos dos mais variados tipos como herbicidas, fungicidas e pesticidas, já que a maior parte destes produtos deriva do petróleo, portanto além da dependência; a poluição, que é ocasionada pelo excesso de agrotóxicos na atmosfera causando danos a saúde, como alergias, asma, bronquites, além de doenças mais graves como o câncer. Outro problema é o endividamento dos agricultores e conseqüente êxodo rural; perda de biodiversidade com esgotamento dos solos pelo uso de culturas iguais, deslocando os grãos alimentícios mais nutritivos; a grande quantidade de produtos químicos; a excessiva irrigação que levou ao encharcamento e à salinização do solo e ao esgotamento da água subterrânea; o avanço nas fronteiras agrícolas destruiu milhões de hectares e transformou-os em desertos ou em áreas improdutivas. Por fim, a dependência de grandes empresas de insumos agrícolas que defendem os interesses econômicos de poderosos grupos internacionais já que a Revolução Verde serviu de carro chefe para ampliar no mundo a venda de insumos agrícolas modernos: máquinas, equipamentos, fertilizantes, defensivos, pesticidas, etc.
Hoje, o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Entre 1987 e 1997, a quantidade de herbicidas comercializados no Brasil passou de 51.936 toneladas para 132.574 toneladas de produto comercial.
A Revolução Verde quando acompanhada da reforma agrária, acarreta benefícios sensíveis para a maioria ou a totalidade da população. Porém, sem essa dupla, apenas uma minoria de agricultores consegue se adaptar, enquanto os pequenos proprietários rurais ficam marginalizados do processo. Os impactos da RV sobre o meio ambiente e sobre a saúde foram geradores de crescentes movimentos de resistência a alguns pesticidas e agrotóxicos. Além dos ambientalistas que combatiam as queimadas e o desmatamento para extensão das áreas de cultivo.

3. Agricultura de Precisão
A Agricultura de Precisão inicia-se em 1990 nos EUA e Europa e é fruto da busca incessante pelo aumento da eficiência e produtividade na agricultura, assim como em todos os setores da economia globalizada. Nota-se que com essa nova tecnologia dentro do campo a experiência empírica do camponês tradicional é cada vez mais esquecida e menos importante, é assim fruto da experiência do mercado e da técnica.
Dessa forma temos que a Agricultura de Precisão é o conjunto de técnicas e procedimentos que permite conhecer, localizar geograficamente e delimitar áreas de diferente produtividade, través do emprego da informática, programas específicos, sensores, controladores de maquinas e sistemas de posicionamento global. (CAMPO, 2000).
Segundo a EMBRAPA (1997), o termo Agricultura de Precisão engloba o uso de tecnologias atuais para o manejo de solo, insumos e culturas, de modo adequado às variações espaciais e temporais em fatores que afetam a produtividade das mesmas.
Na Agricultura de Precisão, dentro do campo, é considerada a variabilidade espacial, pois as áreas não são homogêneas e dessa forma, para cada área especifica do terreno, são colhidos dados específicos que permitem a análise e tratamento diferenciado de cada trecho do campo. Temos por exemplo à aplicação de insumos feita de forma localizada e em taxas variáveis. Ao contrário, a agricultura tradicional não considera essa variabilidade do campo e trata-o com valores médios na aplicação de insumos. Decorre daí parte do diferencial e da inovação nessa nova técnica de produção agrícola.

3.I. Procedimentos Técnicos da Agricultura de Precisão
* Preparação do solo: é realizada a análise do solo para busca das causas da variabilidade de produtividade. Cada trecho analisado é atrelado a uma localização especifica com auxílio do GPS. Posteriormente, após a análise, realiza-se aplicação de fertilizantes e corretivos a taxas variáveis.

* Plantio: é realizado através de taxas variáveis, de acordo com o potencial produtivo de cada área. Se dada área tem um potencial produtivo maior, nesse trecho do campo, as semeadeiras irão disponibilizar maior quantidade de sementes por área.

* Acompanhamento da lavoura: através de tecnologias como o sensoriamento remoto, faz-se o mapeamento de pragas e doenças, além do acompanhamento da taxa de crescimento dos vegetais. Com esse levantamento é possível realizar a aplicação de defensivos agrícolas de forma localizada.

* Colheita: durante a realização da colheita, o maquinário realiza o levantamento da produtividade do campo. Isso é possível através de sensores específicos instalados nas máquinas. Posteriormente, especialistas geram mapas de produtividade com o auxílio de softwares. Esses mapas de produtividade e dados específicos são comparados com dados anteriores à aplicação da Agricultura de Precisão e com as safras posteriores à sua implantação.

Nota-se que é a partir de um conjunto de procedimentos comuns que casa campo exigirá soluções particulares. Esses procedimentos comuns da Agricultura de Precisão permitem uma gestão do território, que está apoiada no planejamento e no acompanhamento contínuo do processo produtivo e, principalmente, na disponibilidade de informação para a tomada de decisão.
É uma técnica que permite a racionalização máxima da produção e do território, sendo fruto de pesquisas constantes em crescimento exponencial.

3.II. Ferramentas da Agricultura de Precisão
GPS: é o sistema de global de posicionamento. Usado em todas as fases da safra, desde a preparação do solo à colheita. Possibilita o georrefrenciamento, que é dado pela localização mais a associação de dados do campo analisado. Normalmente, o GPS vem instalado no maquinário, permitindo a orientação dos sistemas de navegação.

Sistemas de Navegação: aparelho que quando instalado ou próprio do maquinário, permite a orientação da máquina dentro do campo agrícola. É responsável por obedecer aos comandos a serem realizados sobre o campo, tais como: aplicação de insumos de forma diferencial e localização dentro do campo, registrando todos os processos realizados.

Sistemas de Informação: forma o núcleo da Agricultura de Precisão, pois desde a análise do solo até a colheita, todos os dados passam por esses sistemas que tem por objetivo analisar os dados e retransmiti-los às máquinas dentro do campo. Através de aparelhos como computadores e softwares são gerenciados dados, produzidos mapas e tomadas decisões. Dados gerais (condições geológicas, umidade do solo, minerais presentes, Ph) são interpretados e dessa forma, escolhe-se o melhor manejo e procedimentos a serem tomados.

Sensoriamento: tecnologia que permite a aquisição de dados referentes aos campos de produção, tais como: estimativa da área plantada; tipos de culturas instaladas; tipos de solos; infestação de plantas daninhas; deficiências nutricionais e acompanhamento do desenvolvimento da cultura. Pode ser classificado em sensoriamento direto e indireto.

• Sensoriamento direto (restrito à colheita): são sensores de fluxo de grãos, teor de umidade, etc. Realizam medições durante a colheita, produzindo informações georreferenciadas.
• Sensoriamento indireto: identificam as propriedades do solo e as condições da cultura. Está subdivido em sensoriamento local e remoto, vejamos a tabela abaixo:

O Sensoriamento Remoto há 10 anos era pouco usado, devido à baixa resolução espacial e espectral. Ressalta-se que disponibilidade de informações em tempo hábil para ação era lenta – cerca de dois meses. Atualmente, em torno de uma semana ou menos. Com a evolução do sensoriamento remoto é possível estabelecer estimativas de evapotranspiração e deficiência hídricas, permitindo a viabilização de sistemas de irrigação. Além de detectar mudanças fisiológicas e estruturais das plantas, mesmo antes de estas alterações estarem visíveis a olho nu. Essa tecnologia exige grandes somas de dinheiro e está ligada diretamente aos grandes produtores.

3.III. Técnica de Taxa Variável (VRT)
O termo VTR refere-se ao termo em inglês Variable-Rate Technology, que é um conceito pioneiro usado pela agricultura de precisão nos EUA desde 1980. Mais que um conceito, a técnica de taxa variável se mostra eficiente, pois a partir dela os insumos, de modo geral, são aplicados de forma a atender as necessidades específicas de cada trecho do terreno, do campo. Essas taxas de insumos diferenciais são possíveis através de um levantamento prévio do campo.
Com essa técnica ocorre o aumento da produtividade e diminuição dos gastos com insumos, já que determinadas áreas precisarão de doses exatas de insumos. Isso significa otimização do lucro, já que não há desperdícios e nem sobras. Vejamos o esquema abaixo, onde são colocadas duas situações diferentes:


3.IV..Vantagens da Agricultura de Precisão
A agricultura de precisão traz grandes vantagens ao agricultor, pois aumenta a produtividade da lavoura, devido a otimização do local de cultivo. Traz melhorias ao meio ambiente, devido a redução de fertilizantes e agrotóxicos, pesticidas entre outros.
Com a tecnologia utilizada acumulam-se registros úteis e detalhados, pois gera um banco de dados possibilitando o mapeamento da produção, dessa forma se obtendo o controle de toda a situação pelo uso da informação, controle de pragas em tempo hábil para diminuir a perda na produção e o controle para que outras células não sejam atingidas.
Proporciona também a sustentabilidade da terra, que se dá devido à redução de insumos (fertilizantes e praguicidas), conseqüentemente a redução na poluição dos solos e a redução do custo da produção no geral.

4. Agricultura de Precisão no Brasil
As primeiras aplicações ocorreram em Uberlândia – MG (1998), técnica introduzida pelo consórcio Agrisat em um raio de 200k devido ao manejo e locomoção dos maquinários. O projeto piloto teve início com 400 mil hectares, exclusivamente com plantio de grãos.


A região de Uberlândia foi escolhida para o projeto piloto por diversos fatores dentre eles, talvez o mais importante para agricultura de precisão, o tamanho das propriedades (concentração fundiária), pois de acordo com a lógica da agricultura de precisão, para que se obtenha a lucratividade esperada, há a necessidade de que as propriedades sejam grandes, devido ao custo beneficio, é necessário que os proprietários também estejam dispostos a inovar a investir para aumentar o percentual de lucro.
A topografia e o clima também são fatores de grande importância e o domínio dos cerrados é um espaço territorial marcadamente planáltico, desta forma facilita a utilização dos maquinários utilizados na agricultura de precisão. Uma grande vantagem que esta localidade possui é a presença de grandes empresas de produtos derivados de milho e soja, que foram atraídas pelas facilidades da região. Desta maneira potencializando o valor agregado transformando milho e soja em óleo comestível, ração animal, amido e glicose entre outros.
Atualmente, a Agricultura de Precisão está presente em regiões centrais do Brasil (Centro-Oeste), porém também é possível encontrá-la nas regiões Sul e Sudeste. Essa localização está ligada diretamente à mentalidade mais aberta a inovações por parte dos proprietários do Centro-Oeste. Essa alegação faz sentido pelo fato que São Paulo e o Sul se apresentam como áreas em que o campo tem maior densidade técnica, impondo resistências às novíssimas tecnologias.
“As áreas cultivadas no cerrado, por sua vez, apresentam-se menos rugosidades e, por isso, prestam-se mais adequadamente a receber o que há mais de novo em tecnologias da informação aplicadas à agricultura.” (SANTOS, 1978)
Recentemente, dentro do cenário de crescimento da produção agrícola e exportação de grãos e demais produtos do agrobusiness nacional, novas entidades privadas e do ramo de pesquisas e desenvolvimento, amparados pelo governo investem quantidades generosas de capital para o aumento das pesquisas e resultados dentro do campo. Promove-se assim, a ascensão do Brasil no cenário mundial agrícola. Temos por exemplo: a Embrapa que desde 1999 desenvolvem pesquisas de forma integrada entre os seus centros de pesquisa, universidades, cooperativas e iniciativas privadas, visando desenvolver e adaptar técnicas adequadas para o agricultor; e a ESALQ – USP, a qual promove o uso de tecnologia nacional, realiza pesquisas e análises.

5. Conseqüências Gerais da Agricultura de Precisão
A AP tende a se tornar cada vez mais comum nas grandes propriedades rurais. As tecnologias existentes hoje permitem grande conhecimento do campo e suas parcelas, o que proporciona grande a tomada de decisões com base de dados precisos. A Agricultura de Precisão ocasiona a especialização dos lugares devido à implantação de empresas para a produção de produtos considerados como agrobusiness e que precisam de alta tecnologia, que tem reflexo sobre o território (fixos e fluxos) e, por sua vez, gera o aumento da produção e a otimização da área cultivada (mantém ou diminui a área cultivada com o aumento da produção – ou seja, aumenta-se a produtividade).
Em contrapartida, por se tratar de alta tecnologia, tem seu custo elevado e tal fato acaba ocasionando a exclusão de pequenos agricultores (agricultura familiar), é um recurso que acaba sendo utilizado predominantemente pelas grandes corporações.

6. Referências Bibliográficas
Castillo, Ricardo. Sistemas Orbitais e Uso do Território – Integração eletrônica e conhecimento digital do território brasileiro. São Paulo, tese de doutorado, 1999, DG – FFLCH-USP.

AZEVEDO
, L.H.A. Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento integrados ao planejamento territorial. São Paulo, tese de doutorado, 1994, DG – FFLCH-USP.

EMBRAPA MILHO E SORGO. Introdução à Agricultura de Precisão: Conceitos e Vantagens. Revista Ciência Rural, Santa Maria, 2002, v. 32, n.1. p. 159-163.

CAMPO, P. do. Agricultura de precisão. Inovações do campo. Piracicaba. 2000. Disponível em: http://www1.portaldocampo.com.br/inovacoes/agric_precisao03.htm. Acessado em: 06 de outubro de 2008.

MOLIN, J. P. Agricultura de precisão – o gerenciamento da variabilidade. Piracicaba:
2001, 83 p.

SANTOS, Milton. Por uma nova Geografia Nova. São Paulo, 1978, Hucitec.

SANTOS, Milton. 1996. A Natureza do espaço, razão e emoção. São Paulo, 1996, Hucitec.

ZEILHOFER, Peter. Introdução ao Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Disponível em: http://www.geografia.ufmt.br/downloads/lig/Apostila/SR.pdf. Acesso em: 15 out. 2008.

SANTOS, Maria Durvalina. Disciplina de Fisiologia Vegetal. Jaboticabal, 2006, UNESP.
Disponível em: http://www.fcav.unesp.br/download/deptos/biologia/durvalina/TEXTO-86.pdf. Acesso em: 14 de outubro de 2008

sábado, 9 de abril de 2011

DA FORMAÇÃO EM MASSA AOS TIROTEIOS EM ESCOLAS E CINEMAS

Pequeno texto escrito por mim, após assistir um belo desabafo verbal e escrito, da professora Drª Maria Eliza Miranda, da FFLCH/USP.

DA FORMAÇÃO EM MASSA AOS TIROTEIOS EM ESCOLAS E CINEMAS
Vejo a formação continuada do Estado como um projeto de formação rápida de mão de obra, voltada para uma economia crescente no Brasil (é só observar a quantidade de instituições de ensino técnico inauguradas nos últimos anos). É um modelo educacional que não tem formação cidadã. Esse modelo de formação em massa não atende às necessidades que a nossa sociedade dinâmica exige, esse modelo não dá aos nossos alunos formação social e moral. O atual modelo educacional e o ambiente em sala de aula prioriza apenas os alunos que aprendem, abandonando os demais. Mas existe um outro tipo/comportamento de aluno, é aquele que nunca é lembrado, trata-se do aluno quieto e que passa sem ser notado (aprendendo ou não). Formação em massa é ignorar as especificidades de cada educando, o que pode resultar em alunos reprimidos e ignorados (alunos invisíveis, mas que irão aparecer...).

Esse tipo de aluno, esquecido por todos, está muito mais vunerável a explodir sua violência interna mais tarde, atirando e matando em cinemas e escolas. Amigo, o sistema abandona...ele mata e forma para matar, através de suas políticas públicas de fundo de quintal e que abandona os necessitados. E ninguém se manifesta, enfim: somos todos culpados!

Exemplos do descaso, do abandono, da falta de políticas públicas eficientes!

Massacre em Columbine e o episódio do ônibus 174 (veja o trailer do filme)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ano Novo, Problema Velho. Enchentes e Deslizamentos – Omissão e Descaso para com a população

Vocês já reparam que todos os anos nesta época acontecem as mesmas coisas: enchentes, deslizamentos, buracos nas ruas e rodovias, e segundo os políticos a culpa é sempre dela, da CHUVA. O que eles fazem o ano todo, quando medidas para evitar esses acontecimentos poderiam ser planejadas e trabalhos deveriam serem executados?
Se o rio transborda, obras de aprofundamento poderiam ser realizadas em períodos de seca, quando os mesmos estão com capacidade mínima e este trabalho poderia ser realizado com mais facilidade. Se o esgoto transborda, o problema pode ser a baixa capacidade de escoamento ou o alto número de lixo ou detritos encalhados no mesmo. Simples, há um longo período no ano em que não chove, por que não realizar força tarefa para limpar esses esgotos? Sim, trabalhos conjuntos em Prefeituras e Companias de Saneamento seria iniciativa eficaz para o combate deste problema. Se o problema for na baixa capacidade de vazão, obras para ´´alargamento´´ ou construções de vias extras de escoamento de água em áreas críticas de alagamento. É como construir outra rede de escomanto ao lado da mesma rede de escoamento.
Em nossa região não encontramos com tanta frequência problemas de deslizamento, mas é notícias todos os anos nos principais jornais do país casos de morte em massa de famílias por soterramento. A Defesa Civil de cada município em muitos casos é omissa, e deixa para agir somente depois da tragédia anunciada acontecer.
E todos os anos deparamos com os mesmos discursos: – O problema é o excesso de chuva. – Não estavamos preparados para tanta água. – Só poderemos fazer algo quando a temporada de chuva acabar.
Ano entra, ano vai e sempre as mesmas cenas. ATÉ QUANDO?

Não há sequem um plano de política pública voltada para o combate as enchentes. Não dá mais para aceitar!

PSOL JALES (http://www.psolsp.org.br/jales/?p=78)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Soldados Privados


O alastramento da demanda por serviços de guerras em diversas regiões do globo é um sinal de que a guerra traz lucros. Empresas contratam pessoas para que essas entrem em guerras alheias. São diversas pessoas agindo militarmente em territórios distantes e que na maioria das vezes sabem que combatem apenas pelo dinheiro envolvido, sem saberem as causas do conflito.

O aumento da violência contra civis em conflitos pelo mundo, principalmente no Oriente Médio, é uma forma de retalhação e uma nova forma de guerra. Alvos físicos deixam de ser majoritários nas guerras e atacar civis torna-se uma forma de trazer maiores danos ao inimigo, militarmente superior.

"Em diversos países, as companhias privadas operam como um governo paralelo e têm sido associadas ao recrudescimento da violência e ao aumento das mortes civis".

Veja o trecho abaixo:

“Dos soldados privados que fazem uso das armas sempre que a situação o exige, temos, somente no Iraque, algo em torno de 30 mil. Com isso, depois dos americanos, os “novos mercenários” reúnem o segundo maior “contingente” e possuem, em termos numéricos, muito mais homens do que todas as outras tropas de coalizão. Mas eles não estão em atividade apenas na Mesopotâmia. No Afeganistão, por exemplo, funcionários da empresa americana DynCorp fazem a proteção do presidente Karsai, enquanto outras empresas tomam conta dos prédios do governo e da infraestrutura; no sudoeste da Ásia e na América do Sul, eles lutam em diversos cenários contra os rebeldes, cartéis de drogas e senhores de guerra; em países africanos, eles fazem a segurança dos campos de petróleo e de diamantes. Eles estiveram em atividade em mais de 160 Estados nos últimos anos e a demanda por seus serviços não está diminuindo.” (UESSELER, R. Guerra como prestação de serviço: a destruição da democracia pelas empresas militares privadas. Traduzido por Marcio CasaNova. São Paulo: Estação Liberdade, 2008. p. 22.)

TIO SAM, quem será o próximo?


Após o final da Guerra Fria, os EUA se consolidaram ainda mais como super potência global. O acúmulo de capital permitiu grandes influências políticas e, principalmente, militar. Os interesses particulares são conquistados pelo seu poderio bélico frente a "adversários" considerados extremamente fracos militarmente, mas adversários estratégicos para continuação e afirmação da supremacia estadunidense. Diante dessa postura agressiva, o país vira alvo de ataques terroristas e é concebido como o "inimigo do Ocidente".

Quem será a próxima vítima?

Só para lembrar algumas de suas ações: Guerra do Golfo em 1991, invasão do Iraque em 2003, conformação de alianças em Israel e no mundo árabe-muçulmano, liderança de sanções contra o Irã em função das pretensões nucleares persas

sábado, 28 de agosto de 2010

Por que o tempo parece acelerar?

O cérebro humano mede o tempo por meio
da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca e vazia, sem portas ou janelas, sem relógio, você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Então...quando tempo suficiente houver passado, você perderá, completamente, a noção das horas, dos dias ou dos anos.
Estou exagerando para efeito didático, mas, em essência, é o que ocorreria.
Isso acontece porque nossa noção da passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr-do-sol.Se alguém tirar estes sinais sensoriais da nossa vida, simplesmente, perdemos a noção da passagem do tempo.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar, conscientemente, tal quantidade de pensamentos. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada, e não aparece no índice de eventos do dia. Para que não fiquemos loucos, o cérebro faz parecer que nós não vimos, não sentimos e não vivenciamos aqueles pensamentos automáticos, repetidos, iguais.Por isso, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai, simplesmente, colocando suas reações no modo automático, e "apagando" as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender por que parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos, e por que os natais chegam cada vez mais rapidamente.Quando começamos a dirigir, tudo parece muito complicado: o câmbio, os espelhos, os outros veículos...nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia, dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular (proibido), ao mesmo tempo. E você usa apenas uma pequena "área" da atenção para isso.
Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas, com a imagem anterior, na mente); o cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente, pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir, realmente, a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente.Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa...são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Por que estou explicando isso? Que relação tem isso com a aparente aceleração do tempo?Tudo. A primeira vez que isso me ocorreu foi quando passei três meses nas florestas de New Hampshire, Estados Unidos, morando em uma cabana. Era tudo tão diferente, as pessoas, a paisagem, a língua, que eu tinha dores de cabeça sempre que viajava em uma estrada, porque meu cérebro ficava lendo todas as placas (eu lia mesmo, pois era tudo novidade, para mim). Foram somente três meses, mas, ao final do segundo mês, eu já me sentia como se estivesse há um ano longe do Brasil.
Foi quando comecei a pesquisar a razão dessa diferença de percepção. Bastou eu voltar ao Brasil e o tempo voltou a "acelerar". Pelo menos, assim parecia. Veja, quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações...enfim...as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete, que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a r-o-t-i-n-a.
Não me entenda mal.

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas, a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos. (Airton Luiz Mendonça)

Texto postado em "Tribuna do Povo"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Espírito de Competitividade? Não na Coreia do Norte...

Presidente da Coreia do Norte pune técnico da seleção com trabalho forçado
Depois de ouvir bronca de seis horas, Kim Jong-Hun vai a campo trabalhar com uma enxada

Kim Jong Hun foi punido pela má campanha na
Copa do Mundo (Foto: Getty image)Desapontado com o desempenho da seleção da Coreia do Norte na Copa do Mundo, o presidente Kim-Jong-il deu uma bronca de quase seis horas na delegação que esteve no Mundial. O time asiático, que foi eliminado ainda na primeira fase, foi obrigado a passar pela humilhação diante de 400 pessoas no Palácio de Governo.

O integrante que mais sofreu com a ira do chefe norte coreano foi o técnico Kim Jong-Hun. O treinador foi obrigado a realizar trabalho braçal como punição pelo fracasso na África do Sul. É comum no país, que atletas e técnicos que não tenham êxito nas competições, façam trabalho forçado como forma de punição.

A Coreia do Norte, que fez parte do grupo do Brasil, estreou no Mundial após fazer uma partida equilibrada contra a Seleção Brasileira. A derrota de apenas 2 a 1 deixou o time asiático com uma boa expectativa para o segundo confronto, contra Portugal. Porém, os norte coreanos foram massacrados por 7 a 0 pelos portugueses. Na última partida, contra a Costa do Marfim, nova derrota, desta vez, por 3 a 0.

Fonte: GLOBOESPORTE.COM (RJ)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"VOTA EM MIM, PEIXE"

Caros amigos,

Recebi a triste notícia de que o ex-jogador Romário sairá candidato a Deputado Federal nas próximas eleições.

A notícia é no mínimo revoltante. Todos sabem que Romário viveu a vida no luxo, na esbórnia. Todos sabem que Romário teve vários filhos, com diferentes lindas modelos e atrizes, e que agora, deve uma fortuna de pensão alimentícia. Todos sabem que Romário está afundado em dívidas. Todos sabem que Romário, uma vez “aposentado”, não tem mais de onde tirar milhões de reais para sustentar os resquícios de sua fortuna, como prédios, apartamentos de luxo, carros importados e filhos com modelos.

Agora, Romário encontrou uma ótima solução para sair do vermelho. Pedir a milhões de “peixes” que votem nele nas próximas eleições. Na verdade, ele espera a ajuda de milhões de PATOS, que certamente pensarão: “vou dar uma força para o Romário”. Assim, elegendo-se Deputado, ele poderá pagar suas dívidas e continuar a viver no luxo.

Eu gostaria de dizer que NÃO SOU PEIXE, NÃO SOU PATO e NÃO SOU OTÁRIO para levar um candidato como esse para Brasília, que só tem interesse em arrumar uma “boquinha” para pagar a contas e sair do buraco.

Durante anos vimos Romário nas suas boites, night clubes, bebendo champaghe com lindas mulheres, queimando dinheiro. Você alguma vez foi convidado para alguma festa dele? Claro que não. Mas agora, ele quer que a gente pague a conta. Você acha isso justo?

Chega de eleger esses aproveitadores, que JAMAIS LERAM A CONSTITUIÇÃO DE NOSSO PAÍS. JAMAIS SE INTERESSARAM PELA POLÍTICA, JAMAIS TIVERAM QUALQUER ENVOLVIMENTO POLÍTICO, NÃO TÊM A MÍNIMA IDÉIA DO QUE É FAZER UMA LEI, NÃO SABEM NADA SOBRE POLÍTICA, E QUE ACHAM QUE UM CARGO ELETIVO É A ÚLTIMA TENTATIVA DE SAÍREM DO BURACO.

CHEGA DESSE TIPO DE GENTE NO GOVERNO!!!!!

VAMOS PARAR DE ELEGER AMIGOS, TIOS DE AMIGOS, PARENTES, ÍDOLOS DO FUTEBOL, VÔLEI, NATAÇÃO, FUNKEIROS, EX-MODELOS E ATRIZES PORNÔ FALIDAS, FORROZEIRO DOS TECLADOS, ETC....

VAMOS ESCOLHER MELHOR NOSSOS LEGISLADORES.

ELES FAZEM AS NOSSAS LEIS!

Se você pensa em votar no Romário por ele ter conquistado uma copa do mundo, ou por torcer para algum time que ele tenha jogado, parabéns. Ele agradece o voto de mais um “PEIXE-PATO”.

DIGA NÃO À CANDIDATURA DE ROMÁRIO!!!!!!!!

VAMOS NOS RECUSAR A PAGAR AS DÍVIDAS DOS SEUS CARROS IMPORTADOS, BOITES E PENSÃO ALIMENTÍCIA!

NÃO SEJA MAIS UM OTÁRIO!

Por favor, repasse essa mensagem, na TENTATIVA de salvar nosso Congresso Nacional, e dar uma destinação melhor aos nossos tributos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Contrastes...

(I) "O que eu sonho? Eu é ter uma vida boa andando de bicicleta pelo mundo todo. Ler eu não sei não. Ma já sei escrever o meu nome [...] Um dia eu me cortei, saí de casa sem comer e quando levantei o facão para cortar a cana...ele cortou minha mão. Foi um corte feio, cinco pontos, mas não deixei de trabalhar não".

Carlos Adriano, 1 2 anos - morador de Cortês (PE)

(II) "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão".

Constituição da República Federativa do Brasil, art. 227

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A política, o poder e as eleições

A política é a arte de conquistar e manter o poder. É com essa finalidade que se disputam eleições, promoções, concursos, prestígio pessoal etc. O acesso a alguma forma de poder é a primeira condição para realizar outros objetivos, sejam eles nobres ou mesquinhos, pessoais ou coletivos.

Os que se lançam numa disputa eleitoral querem conquistar uma parcela de poder ou manter o que já possuem. No entanto, a atividade política não é desenvolvida pelos indivíduos isoladamente. Eles atuam em grupos e, oficialmente, no caso da conquista do poder público, fazem-no por meio de organizações especializadas. Essas organizações são os partidos políticos, nos quais se estruturam as idéias, as estratégias para disputas de eleições, os planos de governo etc.

O voto é a principal forma de participação na tomada de decisões da vida pública. É por meio de participação que são eleitos governantes e representantes do povo em todos os níveis do poder público do país.


Extraído de “Política: ciência, vivência e trapaça” - Paulo Martinez

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Bolsa Desonestidade

Na última quarta-feira, 6, o TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou um relatório inquietante. Trata-se de uma auditoria sobre o Bolsa Família, o mais importante programa de transferência de renda do governo federal, que pagará R$ 11,4 bilhões neste ano em benefícios entre R$ 20 e R$ 182 a mais de 11 milhões de famílias.

Alguns dos absurdos: ganhadora de um repasse mensal de R$ 94, uma família de Sergipe é proprietária de sete caminhões. A frota é avaliada em R$ 756.467,00. Outra família, de São Paulo, também recebeseu dinheirinho apesar de ter entre seus menbros o feliz proprietário de uma moto importada.

Os benefícios do Bolsa Família, que só podem ter renda até R$ 137 mensais por pessoa da família. No entanto, ao cruzar a lista de beneficiários do programa com os cadastros do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), os auditores identificam mais de 106 mil famílias proprietárias de veículos com valor acima de R$ 4.000,00. E pior: entre os veículos identificados, há 713 avaliados em mais de R$ 100 mil.

Como se não bastasse, na lista de beneficiários do Bolsa Família estão 20.601 políticos que recebem benefícios, a maioria deles, na categoria dos extremamentes pobres.
O cruzamento com o Sisobi (Sistema Informatizado de Controle de Óbitos) revelou ainda a presença de quase 300 mil pessoas mortas no cadastro único.

O combate às supostas fraudes poderia fazer o governo economizar o equivalente a 3,4 % da folha mensal de pagamentos de programa, o equivalente a R$ 318 milhões no período de um ano.
Então, fica a pergunta: onde foi parar a honestidade? Por que alguns são acostumadosa sempre ter vantagem?

Enquanto isso, aqueles que pagam impostos e trabalham de sol a sol, sustentam estes R$ 318 milhões que são despejados para quem não precisa.

Como não se revoltar? Como não questionar a eficiência deste programa social? É fundamental que o brasileiro tenha a ciência de que não é presidente Lula que arca com esse dinheiro que é doado aos "pobres". Ele sai do teu bolso. E então, você está feliz?

Extraído do editorial do "Jornal do Trem" - 08 a 14 de maio de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

Viva?

Viva a liberdade de expressão!
Viva a sinceridade e a verdade!
Viva, Viva, Viva!
.
.
.
Abaixe! Olhe a foice,
olhe o canhão,
contra o peão!
[E tristeza da nação]
.
.
.
Morte, Morte, Morte!

quarta-feira, 25 de março de 2009

A Hora do Planeta

O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

"A Hora do Planeta é um gesto de engajamento, no qual cada um deve fazer a sua parte para um futuro melhor. Será uma demonstração da nossa paixão pelas pessoas, pela solução, pela conservação do planeta, e principalmente, pelo futuro e pela vida."

Álvaro de Souza
Presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil
Fonte: http://www.wwf.org.br

domingo, 15 de março de 2009

O socialismo, em Cuba, é irrevogável

por Michelle Amaral da Silva

12/03/2009 - Brasil de Fato

Igor Ojeda e Tatiana Merlino

enviados a Cuba


Da Baía dos Porcos, a distância até Jagüey Grande, à beira da Rodovia Central, não é grande. Uma estreita estrada esburacada, de uns 50 ou 60 quilômetros, separa os dois locais. Mas não são os defeitos no asfalto que mais chamam a atenção. Assim como em quase todos os cruzamentos e acostamentos, dezenas e pessoas pedem carona. (Em Cuba, essa prática é institucionalizada).


Uma delas é uma jovem na faixa dos 25 anos, que sobe ao carro na companhia de uma amiga. Cubana de nascimento, já não mora na ilha caribenha há sete anos, desde que mudou para Paris com seu marido francês. De férias, veio a seu país de origem para visitar a família.


Perguntada sobre o que acha da Revolução e do governo, não demora a fazer críticas. Lamenta as restrições às viagens para o exterior, as proibições de hospedagem a estrangeiros, a falta de possibilidades para a abertura para pequenos negócios.

A solução, então, é o capitalismo? “Não, de jeito nenhum!”, exclama.

Em Cuba, o fim do socialismo está fora de cogitação. Pelo menos essa é a impressão que fica ao se viajar pelo país, andar pelas ruas, falar com o povo. “Muita gente sai do país achando que será melhor, mas, quando saímos, vemos que não é assim. Aqui não tem crianças na rua, todo mundo tem saúde. Só acho que tem que melhorar algumas coisas”, se explica a jovem, que trabalha como garçonete na capital da França.


Orgulho

Apesar das muitas ponderações sobre os problemas internos, a mudança do sistema político e social não entra na conversa. Nas bocas da população, a Revolução é sinônimo de independência, dignidade e, sobretudo, justiça social. E as cubanas e cubanos se orgulham disso.


A ocasião da comemoração dos 50 anos da Revolução é ideal para comprovar tal sentimento. Durante o período entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, podia-se ver, nas fachadas de muitas casas e estabelecimentos, bandeiras de Cuba, do Movimento 26 de Julho (criado por Fidel Castro antes do triunfo), faixas e cartazes lembrando a data. Muitos dos prédios ornamentados, é verdade, eram hotéis, restaurantes e ministérios estatais. Mas pessoas “comuns” também faziam questão de mostrar que estão com a Revolução. Em suas residências, cartazes simples, de papelão, pintados com singelas inscrições, recordavam o cinquentenário da definitiva vitória rebelde sobre as forças do ex-ditador Fulgencio Batista.


O orgulho, porém, se mostra mesmo nas palavras. “Aqui não se paga pela educação, nem pela saúde. Quem precisa de uma cirurgia, de um atendimento médico, é só ir no hospital. Os remédios custam quase nada, têm um preço irrisório”, conta uma moradora de Bayamo, no oriente de Cuba, após se gabar de que seu país, ao contrário do Brasil, não sentiria os efeitos da crise econômica mundial: “aqui não!”.


Irrevogável”

Talvez a demonstração mais contundente, até hoje, do apoio popular ao socialismo em Cuba foi dada em 2002, após o ex-presidente estadunidense, George W. Bush, “exigir” mudanças no sistema político cubano. Entre os dias 15 e 18 de junho, mais de oito milhões de pessoas (de uma população de cerca de 11 milhões), atendendo ao chamado de organizações sociais, firmaram um abaixo-assinado pedindo uma reforma constitucional que estabelecesse, na Carta Magna, o caráter “permanente” e “irrevogável” do socialismo e do modelo político e social do país.


Assim, após a aprovação da alteração na Assembléia Nacional, o novo artigo 3 da Constituição reforçava: “O socialismo e o sistema político e social revolucionário estabelecido nesta Constituição, testado por anos de heróica resistência diante das agressões de todo tipo e da guerra econômica dos governos da potência imperialista mais poderosa que já existiu e, havendo demonstrado sua capacidade de transformar o país e criar uma sociedade inteiramente nova e justa, é irrevogável, e Cuba nunca mais voltará ao capitalismo”.


Poder popular

O socialismo cubano, na prática, havia sido paulatinamente implementado desde o triunfo da Revolução, em 1959. No entanto, foi só a partir de fevereiro de 1976 que o sistema político ganhou caráter oficial, com a promulgação da nova Constituição do país, que foi aprovada pelo voto livre, direto e secreto de 97,7% dos eleitores. A partir daí, consolidava-se um Estado Socialista de Direito.


Entre os pontos, estavam a instituição de um sistema de poder popular, como a nominação direta, pelo povo, de candidatos às eleições, a revogação de cargos e a rendição de contas aos eleitores; grandes prerrogativas legais para o Conselho de Ministros e de Estado; protagonismo do Estado no sistema político do país, com estrutura centralizada de direção; reconhecimento do Partido Comunista Cubano (PCC) como a força dirigente do Estado e da sociedade; propriedade estatal de tudo que não fosse pessoal, de pequeno produtor, de cooperativas ou de organizações sociais; e a unidade de poder e o centralismo democrático.


Em 1992, após a queda da União Soviética (URSS), o fim do suporte econômico e a entrada no chamado Período Especial, Cuba, vendo-se diante de uma situação bastante difícil, realizou uma ampla reforma em sua Constituição. Entre as modificações, figuraram a permissão do investimento estrangeiro; a limitação da propriedade estatal aos meios fundamentais de produção, permitindo, na prática, a propriedade privada sobre estes; e o estabelecimento de eleições diretas para as assembléias provinciais e nacional. A idéia, com a reforma, era conceder mais poder aos cidadãos: ampliação das eleições diretas de juízes e a criação dos Conselhos Populares, entre outras medidas.


Transformação

“Meu nome é Guadalupe, mas todos me chamam de Lupita”. Sorriso e maquiagem no rosto, brincos, colar e pulseiras, Lupita recebe os hóspedes com amabilidade. Mostra os quartos numa área anexa de sua casa, explica o funcionamento do chuveiro, pede os passaportes e, em seguida, volta oferecendo cerveja em lata.


Negra, aparentando uns 60 anos, mora com o marido, o filho e uma irmã. Seu canto, em Santiago de Cuba, é simples, mas bem decorado. Artesanatos, fotos, panos, flores... O olhar do visitante, viciado com a dura realidade brasileira, já conclui: família simples, de pouca instrução.


No dia seguinte, a impressão se desfaz nas primeiras palavras de Lupita: “Dáli, minha irmã, é médica-ginecologista. Luis, meu filho, estuda Direito”. Em seguida, “provocados”, todos começam a falar sobre os mais variados temas, nacionais e internacionais: democracia, embargo estadunidense, União Soviética, economia, Equador, Obama, Lula...

“Se não fosse a Revolução, não estaríamos conversando agora. Não teríamos como pagar os estudos de minha irmã e meu filho. Seria muito custoso. Poderíamos até ter profissão, mas não haveria emprego”, sentencia Lupita.


Sua vida e a de seus familiares, assim como a de milhões de cubanos, mudou após o triunfo da Revolução, em 1959. Se os rebeldes não tivessem chegado ao poder, provavelmente ela e seus parentes não teriam o nível de vida que possuem hoje.


Com o novo sistema político, Cuba conquistou níveis de universalização e qualidade no que se refere ao acesso à educação e à saúde, pilares da política social do regime, juntamente com a seguridade social. “Hoje, não tem ninguém desamparado. O pouquinho que há, se reparte entre todos. Se você fica doente, vai ao médico e não custa nada. Se não existisse o bloqueio econômico, estaríamos muito melhor. Hoje, mesmo com todos os ciclones, não falta nada a ninguém”, afirma Pedro Luis Sánchez, ex-carvoeiro de Playa Las Coloradas, no oriente cubano. (Leia mais na edição 315 do Brasil de Fato)

domingo, 16 de novembro de 2008

Leiam: 1984, George Orwell

O livro em 1984, George Orwell, fala da transformação da realidade em forma de um romance com ficcção. É inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40 (foi escrito em 1948, porém, para vender mais os donos das gráficas convenceram o autor a mudar o título do livro, invertendo para 1984).
O livro tem por objetivo oculto criticar o stanilismo e o nazismo, e a nivelação da sociedade, a redução do indivíduo em peça para servir ao estado e ao mercado. Isso é feito através do controle total da sociedade, incluindo a repressão ao pensamento e a redução do idioma. Winstom Smith, protagonista, é um cidadão que, assim como os demais, é vigiado pelas teletelas (espelhos que captam a voz e imagem do local e, ao mesmo tempo, emite as notícias e diretrizes do partido único).
É vital para os estudantes de humanas, pois sua leitura permite fazer um paralelo com os regimes totalitários que assolaram a Europa no período de 30 e 40. Levaria aos educandos uma reflexão a cerca do período de insatisfação da sociedade.

Por Paulo Matiuzzi

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

São Paulo molda seu espaço urbano pela elevada concentração de veículos

Mariana Delfini
(notícia publicada USP Notícias)

Congestionamento
, poluição, estresse: o que mais se ouve de São Paulo é que a cidade não comporta volume tão grande de automóveis particulares e que deveria haver mais investimentos em transporte coletivo. "Cada vez mais a cidade, historicamente, se molda para receber o transporte individual", afirma o geógrafo Jaime Oliva. Em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, ele mostra que o uso intenso de carros particulares altera o espaço da cidade e, em decorrência disso, as relações humanas."Em São Paulo existem 4,5 milhões de automóveis, número muito superior a qualquer outra metrópole do mundo", contabiliza o pesquisador. Em seu estudo, Oliva analisou estatísticas oficiais de trânsito, fluxos de pessoas e dados sobre empreendimentos imobiliários para concluir que São Paulo está construindo uma imensa garagem. Segundo ele, estão sendo construídas estruturas imensas para acomodar os automóveis, como estacionamentos e conjuntos residenciais, em geral, com mais de duas garagens, além dos complexos viários.
Subúrbios internos: diferentemente de outras metrópoles mundiais, com destaque para as grandes cidades norte-americanas, São Paulo não sofreu um processo de "suburbanização", ou seja, não se fragmentou fisicamente distribuindo sua população para regiões próximas ao centro. Esse processo acontece como reflexo da vontade de afastamento dos problemas que as cidades apresentam, como a violência, congestionamentos, encontros desejáveis, elitização etc."Em São Paulo foi diferente: a vontade de afastamento resultou no uso intenso dos automóveis particulares e na construção de condomínios fechados que impedem o contato dos moradores com sua cidade há uma ou duas gerações", explica o geógrafo. "São Paulo construiu seus 'subúrbios internos'. Separou as pessoas mantendo-as fisicamente próximas." Uma hipótese para o não desmembramento físico da capital paulista é a falta de investimento em anéis viários que permitiriam o rápido acesso da população dos subúrbios para a cidade. "A construção desses anéis viários e dos condomínios afastados, como Alphaville, ainda é bastante recente", diz.
Transporte público: o uso do automóvel particular faz parte do modo de vida da população brasileira. "Existe a crença e a aceitação ideológica de que a passagem para o setor privado representa ascensão social, como o uso de sistema de ensino, de saúde e de transporte particulares, ao invés dos públicos." "Três automóveis e um imóvel com três garagens passam a ser um patrimônio, é um investimento para se movimentar pela cidade. Quem fez esse investimento não usa ônibus e metrô", avalia o pesquisador. "Esse segmento da população que possui automóveis é o que tem poder de reivindicação, mas não interessa a ele o investimento em transporte público." Para Oliva, a cidade não pode ser vista como um palco, mas um ingrediente da sociedade, e nós somos atores do processo de sua transformação. Mais informações:

jtoliva@gmail.com - Geógrafo com doutorado em Geografia Urbana pela Universidade de São Paulo; professor do Departamento de Geografia do UNIFIEO de Osasco e autor de várias obras didáticas em Geografia.